domingo, maio 04, 2008

O que aí vem...

Miranda do Douro viveu estes últimos 10 anos agarrada a um falso desenvolvimento gerado pelo Pólo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. E agora o que nos espera? O que nos ditará o futuro...
Miranda ontem tinha uma universidade que permitiu o crescimento da cidade, tanto a nível populacional como económico e cultural. Com o tempo, o pólo tornou-se uma fonte de riqueza ímpar. Estimulou a construção, por vezes desenfriada e sem respeitar qualquer tipo de PDM (Plano Director Municipal), mas centenas de novas habitações foram construídas, centenas de pessoas fixaram-se temporariamente na nossa terra. A cidade ganhou vida, saiu da rotina das cidades esquecidas do interior.
O comércio recebeu um pequeno novo folgo com a abertura do pólo. Alguns estabelecimentos do comércio tradicional revitalizaram-se e acompanharam a chama do desenvolvimento. Novos estabelecimentos de diversão noctura foram abertos. Vários negócios ganharam finalmente vida.
Ao nível cultural, importantes conferências, encontros e pesquisas tiveram como organizadores, membros do pólo. O intercâmbio cultural, com as gentes do pólo permitiu ao próprios mirandeses um crescimento sociocultural enorme. A UTAD foi, indubitavelmente, um dos principais motores de desenvolvimento cultural desta terra, na última década.
Mas, enquanto tudo isto acontecia, muito ficou por fazer. A cidade perdeu o rumo do desenvolvimento sustentável. Perdeu-se a revitalização da população, perderam-se novas riquezas e perdeu-se nova cultura.
O desenvolvimento efectuado não foi minimamente eficaz. E todos nós mirandeses temos uma grande quota de culpa. Exluindo do nosso dia-à-dia o pólo universitário, a população realmente decresceu. Os serviços diponibilizados à mesma também decresceram. O turismo cresceu, mas a oferta que o pode alimentar cresceu pouco. O comércio cresceu muito menos do que se poderia esperar. Esquecemos a indústria. E, acima de todas as causas anteriormente referidas, não criamos novos empregos capazes de fixar o futuro da nossa terra, os jovens. Enfim, lutamos pouco...
Mas sejamos o símbolo do positivismo. Sejamos o símbolo de uma comunidade participativa.
Mais vale tarde do que nunca... Por isso, nós mirandeses, não pudemos deixar que o despertar de amanhã seja igual ao da manhã de à umas décadas atrás. Olhar pela janela e apenas ver o sr. Zé e a dona Maria, os vizinhos de sempre... Somos os actores da nossa terra. Sobre ela devemos actuar e a mesma ajudar a recriar.
Pensemos Miranda.
Vivamos Miranda.
Sem o Pólo...
Construamos uma nova Miranda!
Agarra-me estes Palos!