Desde a abertura do Pólo da UTAD de Miranda do Douro, que paira sobre o mesmo a sombra do encerramento. Todo o processo de criação e desenvolvimento do pólo mirandês jamais foi pacífico. Ao início, por os Bragançanos se terem manifestado indignados por a UTAD não apostar na capital de Distrito para aí instalar um dos seus pólos, afirmando que tudo não passava de jogos políticos. Depois com o tempo, a UTAD reclamou melhores infraestruturas à autarquia ameaçando-a com o encerramento, mas pelos vistos não passava tudo de simples desculpas para conseguir o tão desejado encerramento. Chegou, no passado Verão, a notícia que a licenciatura em Antropologia Aplicada iria encerrar e reabriria no ano lectivo seguinte. Mais tarde, neste ano lectivo, com a estipulação da propina máxima, os alunos exigiram um ensino de maior qualidade, rigoroso e sobretudo uma maior organização interna do Pólo, a qual nunca lhes foi dada.
Em todos estes anos nada foi pacífico no pólo mirandês, e agora em que ponto nos encontramos?! Quem ou o que tem falhado?Quem esconde o quê?..
São algumas das respostas a que o Agarra-me estes Palos tenta responder...
Ainda este ano lectivo, após a fase de candidaturas ao ensino universitário, Mascarenhas Ferreira, Reitor da UTAD, admitia ter errado ao não ter aberto mais vagas para o curso de Serviço Social, visto que houve um número muito superior de candidatos em relação às poucas vagas disponibilizadas. Na mesma altura, avançou que graças ao elevado número de candidatos o pólo se manteria aberto em 2007/2008 e que o número de vagas iria aumentar.
Agora vem, por um lado, a público afirmar que se o Governo nada fizer o pólo de Miranda irá mesmo encerrar. Em declarações à Rádio Brigantia, afirmou: “Desde que sou reitor já tive três primeiros-ministros e três ministros e nenhum deles me deu uma clara demonstração que estava interessado em apostar nos pólos. Com as fortes restrições financeiras que tem a UTAD temos de pensar seriamente na continuidade desses pólos, até porque temos uma agencia de acreditação e validação que nos vai aferir em termos de qualidade, qualidade essa que tem sido comprometida com a falta de investimentos nesse pólo”.
À Universidade FM, sublinhou que a juntar a este desinteresse do Governo está ainda a fraca procura dos cursos destes pólos (veja-se a mentira que agora anda por aí a pregar), daí que Mascarenhas Ferreira defenda que é urgente encontrar soluções.
Por outro lado, afirmou que Miranda “não pode dar mais do que aquilo que tem dado”, referindo que a autarquia pôs à disposição da academia transmontana “instalações e até docentes”. Afirmou, de igual modo, que não será por culpa da reitoria da UTAD que os Pólos de Miranda e Chaves encerrarão.
Sejamos sinceros, na problemática curta vida do pólo ninguém pode sacudir a água do seu capote. Tanto os sucessivos governos PSD e PS (Barroso, Santana e Sócrates), como os "pequenos" partidos, como a UTAD e o seu reitor nada fizeram, neste tempo, para que o pólo continua-se de portas abertas. Muito pelo contrário, apenas os mirandeses e as suas sucessivas autarquias, bem como, alguns alunos do pólo de Miranda se têm esforçado em apostar na continuidade do pólo e na melhoria das suas condições.
E agora? Não será já altura de os deputados eleitos pelo distrito de Bragança virem a público manifestar a sua indignação pelo encerramento do pólo de Miranda? Que têm feito, respectivamente, o deputado mirandês Duarte Lima pela manutenção do ensino universitário na sua cidade natal, e da qual é Presidente da Assembleia Municipal?
A situação é negra. A Câmara tem tentado segurar o pólo, mas só com apoios visíveis na comunicação social, e capazes de efectuar pressão junto da UTAD e do Governo se conseguirá um desfeixe positivo para o futuro do pólo e da cidade de Miranda do Douro. Miranda tem de acordar a imprensa nacional para o debate do ensino unversitário, no interior do país, como factor do seu desenvolvimento, bem como factor de desenvovimento de um país que se pretende harmonioso e equilibrado a nível regional.
Como todas as histórias têm um fim, o desta será contado já em Junho, aquando da reunião do Senado da UTAD e da divulgação da decisão do encerramento ou não do Pólo da UTAD de Miranda do Douro.
Até lá não se espere... lute-se!